Rest In Peace
Hoje, a lua está tão linda que foi a primeira coisa sobre a qual eu queria escrever, mas outra notícia esbarrou em mim, então vou pular a parte da lua e falar minhas impressões sobre isso.
A morte é um assunto complexo, são diferentes as opiniões, as doutrinas, ou seja lá qual for a explicação que dão a ela.
A questão chega a ser um tabu para a sociedade, as pessoas preferem nem pensar, ou optam por não conversarem sobre isso por medo, ou qualquer anseio que o valha.
Mas a morte, como um consenso, é dada como certa, mais cedo ou mais tarde ela chega, inexorável, inabalável, impossível de deter-se.
Nunca fui a nenhum enterro, confesso que sequer tenho na memória a lembrança de alguém próximo que morreu, mas hoje tive uma notícia que de tão inesperada me causou um certo estarrecimento.
Fui para a faculdade para mais um dia de aula, chegando lá meu colega Gabriel me diz que minha professora Rosalva, de alguns períodos atrás, suicidou-se, como foi ele quem disse cheguei a desconfiar, comigo ele já ganhou a fama de aumentar as histórias, mas diversas pessoas vieram reiterar e sequer teve aula na faculdade por esse fato.
A notícia é difícil de se acreditar, minha professora era uma pessoa que gostava muito de festas, de se divertir e do nada vem essa notícia; a causa mortis ainda não foi, realmente, esclarecida, pois a encontraram nessa tarde, provavelmente irá sair em algum jornal amanhã.
O fato é que, se eu me lembro, essa foi a única professora da faculdade que me fez um elogio que achei válido. Não sou alguém que aprecio, ou lido muito bem, com elogios.
Tivemos então essa história que marcou a nossa relação professor/aluno, que num resumo foi, mais ou menos, assim: Em uma prova que eu tirei nota máxima, a professora então disse as respostas certas das questões, eu notei que ela tinha cometido um equívoco na correção da minha prova, dando uma questão como válida, no entanto minha questão estava incorreta, de pronto fui avisá-la do erro para que ela pudesse me dar a minha nota real (não acho justo tirar nota maior, nem menor do que aquilo que fiz, por isso também não considero justo colar em provas, antes que alguém venha me chamar de idiota), ela ficou tocada pela minha atitude, chegou a chorar e fez um discurso explicando que essa era o verdadeiro motivo dela lecionar, pois acreditava que nós, alunos, poderíamos mudar essa quadro atual de corrupção e antiético que se encontra o nosso sistema.
E com isso, eu também aprendi a minha lição, essa é a máxima do ensino, o professor que também aprende com o aluno; o aluno, sobretudo aprende com o professor.
Essa história ainda não está meio clara, ainda vão rolar as investigações e tudo mais para os devidos esclarecimentos, mas quero dizer que foi uma grande mestra que me passou esse ensinamento, que apesar de algumas pessoas a acharem grossa, escrota e até mesmo arrogante (me identifiquei com ela, tenho todas essas características) e bater de frente com quem ia de encontro a ela, por isso se tornou uma grande pessoa que foi respeitada no seu trabalho e tinha o prestígio lhe era devido.
Essas são minhas palavras para a mestra Rosalva: Descanse em paz!